
Eu achei que o amor fosse capaz de inspirar minha escrita. Mas eu me enganei. Amores perdidos, errantes, errados, me inspiravam a escrever. Era uma forma de aliviar o peito machucado por tantas decepções.
O amor verdadeiro não é feito de palavras, é feito de sensações. Sensações que permanecem impressas no coração e duram muito, mas muito mais que papéis, bits ou bytes. São reais, não virtuais. São abstratas e não concretas. Pensando bem, podem ser concretas, sim. Concretas quando se materializam em mãos que se tocam, lábios que se unem, corpos que se tornam um. Porque talvez já fossem um só corpo e uma só alma em outras existências.
Amor, a gente aprende que não aparece de uma hora para outra. Não é arrebatador, não causa falta de ar, nem deixa as pernas bambas. Amor se constrói com tempo, convivência, olhares discretos, vontades surgidas depois de tantos meses, toques tímidos. Amor se materializa aos poucos, em palavras que começam em uma conversa em plena quarta à noite depois da aula, debaixo de garoa fina, que termina pelo horário avançado, mas deixa aquele-gosto-de-quero-mais. Conversa que se transforma em cinema de segunda, evolui para beijo apaixonado, passa por pedido de namoro no primeiro dia do ano, chega a planos de filhos em noite de domingo e não termina, porque o caminho é longo e essa história não vai chegar ao fim.
Amar é o exercício diário da saudade, da lembrança, do sacrifício em nome do futuro, porque tudo o que fazemos é planejar o futuro, com a certeza de que ele virá breve. Não é uma esperança vã. Nossos corações estão tão conectados que nos permitem abdicar desses momentos do agora em nome da eternidade do depois.
Amor é o sentido da vida... um vagaroso, porém delicioso processo de construção da felicidade, onde o objetivo não é terminar as paredes, mas sim saborear cada tijolo assentado.